A arroba do boi gordo registrou forte valorização ao longo de fevereiro, impulsionada principalmente pela escassez de animais prontos para o abate e pela dificuldade das indústrias em manter suas escalas de produção. Em apenas um mês, os preços avançaram cerca de 8%, sinalizando um mercado cada vez mais pressionado pela falta de oferta.
Frigoríficos em diversas regiões operam com programações curtas, muitas vezes garantindo apenas poucos dias de abate. Esse cenário evidencia a dificuldade para comprar gado terminado e revela um desequilíbrio claro entre oferta e demanda.
Do lado do produtor, a estratégia predominante tem sido segurar os animais no pasto. As condições climáticas favoráveis e a boa disponibilidade de forragem reduzem os custos de manutenção e permitem adiar a venda na expectativa de preços ainda melhores. Com isso, o poder de negociação passa para as mãos do pecuarista.
Além da oferta restrita, o mercado também recebe sustentação da demanda externa aquecida. As exportações de carne bovina seguem firmes, ajudando a enxugar o volume disponível no mercado interno e reforçando a trajetória de alta das cotações.
Especialistas avaliam que, enquanto persistirem as escalas encurtadas e a retenção de gado nas fazendas, a tendência é de manutenção do viés altista no curto prazo, sem sinais concretos de alívio imediato nos preços.