Às vésperas da decisão do governo dos Estados Unidos sobre a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros, representantes do agronegócio e da indústria intensificaram uma ofensiva em Washington para tentar evitar prejuízos bilionários às exportações nacionais. Enquanto entidades empresariais ocupam os espaços de debate junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o governo federal mantém uma atuação restrita aos canais diplomáticos e sem protagonismo nas audiências públicas que podem influenciar a decisão americana.
A mobilização reúne representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), da Sociedade Rural Brasileira (SRB), da Amcham Brasil e de diversas entidades setoriais. O objetivo é convencer as autoridades americanas de que a sobretaxa de 25%, somada a outras medidas em análise, prejudicará não apenas o Brasil, mas também empresas e consumidores dos próprios Estados Unidos.
Durante as audiências, as entidades sustentaram que as cadeias produtivas entre os dois países são complementares e alertaram para o aumento dos custos de alimentos, medicamentos, fertilizantes e matérias-primas caso as novas barreiras comerciais sejam implementadas. O setor cafeeiro, por exemplo, atua em conjunto com entidades americanas para preservar a isenção sobre o café brasileiro, enquanto o agronegócio apresentou estudos contestando as acusações de desmatamento e trabalho forçado utilizadas como fundamento para a investigação conduzida pelo USTR.
A movimentação evidencia que o setor produtivo passou a liderar os esforços públicos para tentar reverter a medida. Enquanto empresários viajam aos Estados Unidos, apresentam estudos técnicos e participam diretamente das audiências, o governo brasileiro limitou sua participação ao envio de observadores da Embaixada em Washington, argumentando que as negociações oficiais continuam ocorrendo por vias diplomáticas.
A postura tem recebido críticas de representantes do setor produtivo, que defendem uma atuação política mais incisiva diante do risco de perda de competitividade das exportações brasileiras. A avaliação é de que, diante da proximidade da decisão americana, apenas as negociações diplomáticas podem não ser suficientes para conter o avanço das restrições comerciais.
A expectativa é que o governo dos Estados Unidos anuncie até o próximo dia 15 de julho se confirmará ou não a adoção das novas tarifas. Até lá, entidades empresariais seguem encaminhando memoriais técnicos e reforçando o trabalho de convencimento junto às autoridades americanas, numa tentativa de evitar impactos que podem atingir milhares de produtos brasileiros e comprometer uma das principais relações comerciais do agronegócio nacional.