Avanço da colheita aumenta oferta e mantém preço do feijão-carioca em queda

O mercado de feijão-carioca começou agosto ainda sob pressão. O avanço da colheita das lavouras irrigadas da terceira safra aumentou a oferta disponível e contribuiu para a continuidade da queda nas cotações.

De acordo com levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os recuos são mais acentuados entre os lotes de melhor qualidade. O produto de padrão intermediário também registra desvalorização, acompanhando o movimento observado no mercado.

A maior disponibilidade tem deixado os compradores mais cautelosos nas negociações. Com mais produto chegando ao mercado, a procura por novos lotes ocorre de maneira mais seletiva, dificultando uma recuperação imediata dos preços.

O cenário também começa a mudar a estratégia dos produtores. Parte dos vendedores que vinha priorizando a comercialização para garantir liquidez passou a avaliar a possibilidade de armazenar o feijão, aguardando uma eventual melhora das condições de mercado.

A necessidade de recursos, porém, ainda limita essa alternativa. Produtores que precisam fazer caixa continuam colocando seus lotes à venda, contribuindo para ampliar a oferta e manter as cotações pressionadas.

O movimento observado no Cerrado é especialmente importante para o comportamento do mercado nas próximas semanas. No fim de julho, dados do Índice Cepea/CNA já apontavam quedas expressivas nos preços do feijão-carioca, com retrações mais fortes em regiões produtoras de Minas Gerais e Goiás.

Entre 16 e 23 de julho, o feijão-carioca de melhor padrão acumulou queda média de 17%. No Sul e Sudoeste de Minas, a retração chegou a 19,53%, enquanto no Leste Goiano alcançou 18,24%.

A tendência para agosto dependerá principalmente do ritmo da colheita, do volume de produto disponibilizado pelos agricultores e da capacidade de absorção do mercado consumidor.

Enquanto a oferta continuar crescendo em ritmo superior à demanda, o feijão-carioca deve permanecer sob pressão. Para os produtores, a decisão entre vender imediatamente ou armazenar a produção ganha importância diante de margens cada vez mais apertadas.

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