A menor disponibilidade de animais prontos para abate continua ditando o ritmo do mercado pecuário no Brasil. Com a oferta enxuta, os preços do boi gordo permanecem sustentados nas principais regiões produtoras, refletindo um cenário em que o pecuarista ganha poder de negociação.
Do lado da indústria, a situação é mais delicada. Os frigoríficos enfrentam dificuldades para alongar suas escalas de abate, que seguem encurtadas, obrigando muitas unidades a reduzir o ritmo de processamento. A escassez de gado terminado limita a capacidade de operação e aumenta a competição entre compradores, pressionando as margens do setor.
Esse desequilíbrio entre oferta e demanda mantém a arroba em patamares firmes, mesmo diante de um ambiente econômico ainda desafiador. Com menos animais disponíveis, a disputa por lotes prontos se intensifica, impedindo recuos mais consistentes nos preços.
Apesar disso, há fatores que impõem cautela. O consumo interno segue enfraquecido, impactado pelo custo elevado da carne bovina, o que reduz o espaço para repasses no atacado. Além disso, o mercado externo e o cenário macroeconômico continuam exercendo influência sobre o comportamento dos preços.
O momento, portanto, é de sustentação baseada na escassez. A continuidade desse movimento dependerá não apenas da oferta de animais, mas também da capacidade de absorção da demanda, tanto no mercado interno quanto nas exportações.