A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a pesar no bolso do produtor rural. Com impactos diretos nas rotas logísticas e no fornecimento de matérias-primas, os preços dos fertilizantes registraram alta de até 39% no mercado internacional, acendendo um alerta no agronegócio.
O movimento é puxado principalmente pela instabilidade em regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz — corredor por onde passa uma parcela relevante do comércio global de energia e insumos agrícolas. Qualquer interrupção nesse fluxo afeta diretamente a oferta e encarece o transporte, pressionando toda a cadeia produtiva.
No caso dos fertilizantes nitrogenados, como a ureia, a valorização já vinha sendo observada desde o início das tensões, com altas superiores a 30% em poucos dias. Agora, o cenário se amplia para outros insumos, elevando o custo médio para o produtor.
Além do conflito, o mercado enfrenta um efeito combinado de fatores: redução na oferta global de matérias-primas, restrições comerciais e aumento nos custos logísticos. O resultado é um ambiente de forte pressão sobre os preços, em um momento crucial de compra de insumos para a próxima safra.
No Brasil, o impacto é ainda mais sensível. O país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, o que amplia a exposição a crises internacionais e oscilações de mercado.
Na prática, o encarecimento dos fertilizantes tende a elevar o custo de produção, reduzir margens e pode até levar produtores a diminuir o uso de tecnologia nas lavouras — com reflexos diretos na produtividade.
Se o conflito se prolongar, o risco é de uma pressão ainda maior sobre os custos agrícolas e, consequentemente, sobre o preço dos alimentos, afetando não só o campo, mas toda a economia.