A cadeia produtiva do alho atravessa um momento de forte pressão, marcado pela perda de competitividade e pela dificuldade de comercialização da produção nacional. O cenário é resultado de uma combinação de fatores que vêm impactando diretamente a renda dos produtores e a sustentabilidade da atividade.
Um dos principais problemas é o aumento das importações, especialmente de países como China e Argentina. A entrada de grandes volumes de alho estrangeiro no mercado brasileiro tem provocado desequilíbrio na oferta, pressionando os preços para baixo e dificultando a concorrência para o produto nacional.
Apesar da existência de mecanismos de proteção comercial, o setor avalia que essas medidas não têm sido eficazes na prática. Falhas na aplicação e brechas operacionais acabam permitindo que o produto importado chegue ao mercado em condições mais vantajosas, ampliando a desigualdade competitiva.
Ao mesmo tempo, o mercado interno enfrenta um excesso de oferta. Parte significativa da produção anterior ainda não foi absorvida, o que gera acúmulo de estoques e intensifica a queda nos preços justamente no período de entrada de uma nova safra. Esse efeito em cadeia compromete o fluxo de caixa dos produtores e aumenta o risco financeiro da atividade.
O resultado é um cenário de instabilidade crescente, no qual produtores lidam com margens cada vez mais apertadas e menor previsibilidade. A continuidade desse quadro pode levar à redução da área plantada e impactar a produção nacional nos próximos ciclos, aprofundando ainda mais os desafios do setor.