Neste 8 de junho, data em que é celebrado o Dia do Citricultor, o setor produtivo brasileiro tem motivos para comemorar sua posição de destaque no mercado global de citros, mas também enfrenta um dos maiores desafios sanitários de sua história recente: o avanço do greening, doença considerada atualmente a principal ameaça à citricultura nacional.
O Brasil permanece como a principal potência mundial na produção e exportação de suco de laranja, abastecendo mercados em diversos continentes e sustentando uma cadeia que gera milhares de empregos diretos e indiretos. Entretanto, a expansão da doença tem elevado os custos de produção, reduzido a produtividade dos pomares e exigido investimentos cada vez maiores em tecnologia e manejo fitossanitário.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto que carrega a bactéria responsável pela doença, o greening compromete o desenvolvimento das plantas, reduz a qualidade dos frutos e não possui cura. Uma vez contaminada, a árvore perde capacidade produtiva e, em muitos casos, precisa ser erradicada para evitar a disseminação do problema para outras áreas.
Os impactos já aparecem nos números da produção. Levantamento do Fundecitrus aponta que a safra 2026/27 do cinturão citrícola formado por São Paulo e Triângulo Mineiro deverá alcançar 255,2 milhões de caixas de laranja, volume 12,9% inferior ao registrado no ciclo anterior. Entre os fatores que explicam a queda estão a bienalidade da cultura, condições climáticas adversas e, principalmente, o avanço do greening nos pomares brasileiros.
A situação preocupa especialmente porque essa região concentra a maior produção de laranja destinada à indústria de suco do planeta. Além de impactar a oferta da fruta, a doença tem provocado aumento expressivo nos custos de produção. Estudos recentes indicam que produtores vêm intensificando aplicações de defensivos, monitoramento de áreas e renovação de pomares, medidas consideradas essenciais para manter a viabilidade econômica da atividade.
Apesar das dificuldades, especialistas destacam a capacidade de adaptação dos citricultores brasileiros. O setor tem ampliado o uso de tecnologias de monitoramento, manejo integrado de pragas e novas estratégias de controle para reduzir a incidência da doença e preservar a competitividade da produção nacional. A busca por soluções mais eficientes tornou-se uma das principais frentes de trabalho da pesquisa agropecuária e das empresas ligadas à cadeia citrícola.
Para lideranças do setor, o Dia do Citricultor é também um momento de reconhecimento ao trabalho dos produtores rurais que mantêm uma das cadeias mais estratégicas do agronegócio brasileiro. Em meio a desafios sanitários, climáticos e econômicos, a citricultura segue sendo uma atividade fundamental para a geração de renda, empregos e divisas para o país.
O cenário para os próximos anos exigirá investimentos contínuos em inovação, pesquisa e sanidade vegetal. Ainda assim, o Brasil mantém sua posição de referência mundial na produção de citros, sustentado pela experiência de seus produtores e pela importância econômica de uma cadeia que continua sendo símbolo da força do agronegócio nacional.